terça-feira, 31 de outubro de 2017

SÔ MINEIRO, UAI!

    
     Nesse mundo tem tanta gente boba que até eu, que nada tenho de esperto, acabo me entregando à gargalhada. Principalmente quando penso num par de amigos cujo hábito de  brindar o próprio relacionamento, que graças a Deus tem ido de vento em popa, é claro e notório. Entretanto esses caras que ao invés de falar da relevância dos seus 30 anos de casados preferem reverenciar os amigos que distantes, certamente também falam neles. Isso me causa frouxos de risos já que assim tem sido e assim, acredito,  será por muitos e muitos anos.  Em contrapartida nós,  amigos verdadeiros, não pensamos em outra coisa senão nessas pessoas quando estamos felizes, em festa.  Mas se por sorte a saúde de um dos nossos baqueia, aí os amigos não lembram dos que antes tintinavam seus copos pela saúde de ferro e  felicidade sublime.  Quando se ri, ri-se às gargalhadas, mas quando o pranto nos toma os olhos choramos até que o sono vença o resto de nossas forças. Amigos que se presa não divide tristeza, só alegria. A não ser que tal amizade tenha um quê de especial que a faça em cacos quando souber que o amigo adoeceu sem gritar seu nome. 
A qualquer dia de novembro meu carro nos levará pelas estradas da capital mineira e é claro que os amigos também aparecerão por lá ou a gente não combinaria tanto para ser tão parecido. Portanto, amigos, boa-viagem. Saiam cedo para não precisar correr tanto.  Saiam com tudo o que possam usar na viagem e com o que pensam não ser preciso.  Caso pintar uma necessidade tudo estará ao seu dispor e caso não pinte, traga de volta o que não for usado. 
Portanto, turma, vamos com calma, cuidado e respeito às leis de trânsito. Lá a gente se vê.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

SEMEADURA.

     

    Não vim abrir questão sobre política, religião e muito menos sobre a fé que nós, brasileiros, temos para sobreviver às mazelas eminentes. De uma forma ou de outra é preciso acreditar em alguma coisa e por que não crer nesse Deus que, segundo entendemos, nos deu essa terra maravilhosa de clima propício à semeadura do grão que transformamos no trigo que nos cala a fome. Infelizmente nos tem aparecido, desde que eu me "desconheço" como gente, algo ou alguém, digamos, de outro planeta, que nos passa a perna colhendo o que seria nosso sustento. Mas, graças a rapidez com que nos levam o resultado do nosso trabalho, sempre catamos o que deixam cair na sua rota de fuga, se não muito, mas o suficiente para, com sabedoria, ser dividido entre as famílias, nossos amigos e com quem tem fome. A vontade que eu tenho é de avançar na goela de quem tira do meu filho o passeio de final de semana, a pizza com os amiguinhos e os livros que não posso lhe dar. 
"Quando eu era pequeno sonhava poder ir ao cinema, mas papai mal fazia para o nosso sustento. Livros eu os lia na escola ou alguém me emprestava. Depois de velho fui a muitos teatros, todos os cinemas e a muitos eventos onde o livro era a razão do encontro. Isso sem gastar um centavo, uma vez que o governo, no intuito de justificar o sequestro do nosso dinheiro, garantia a quem estudou o que eu estudei o acesso a esses lugares".
Hoje eu queria (e quero) o melhor para o meu filho, mas me conformo em poder sustentá-lo uma vez que vivo em uma terra onde quem estudou é malvisto ou considerado incapaz quando aceita um emprego que nada tem a ver com o de sua formação. Isso é triste, é de levar às lágrimas. Talvez fosse menos vergonhoso ser gerente da boca de fumo, o chefe da quadrilha ou o mandachuva do pedaço. Como coragem eu não tenho e preparado para isso eu não fui, vou trabalhando e pedindo a Deus para não me deixar perder a fé no meu trabalho e na honra que tenho de ainda poder ser honesto.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

PREÇO DA VIDA.

    


     A vida aqui na terra podia ter o preço de um primeiro sorriso, uma festa de criança ou de um carnaval. Mas não tem. É escorchante o preço da diária quando não sabemos o tempo que levaremos por aqui. O recibo nos é passado, ou melhor, barganhado por uma infância inteira de obediência aos pais e aos de mais idade. Estudo e trabalho abnegado, assim como sorrir para aqueles que lhe são simpáticos e para os que não gostam de você faz parte do pacote. Ir à igreja com a família nas manhãs de domingo, observar os mandamentos e não comer se não poder dividir o que tem na marmita, também faz parte. Mesmo assim ninguém garantirá que sua saúde e a de sua família será preservada com esse preço absurdo que você pagará sem mesmo ter certeza de que seus filhos seguirão o caminho do bem ou que viverão em paz e harmonia ao seu lado.
Só com chás, bolachas, refrescos e bolos você deverá festejar uma data, mesmo sabendo que tais extravagâncias não levarão ninguém a lugar nenhum. Já as cervejas e os destilados que dão barato e nos fazem tão bem, nem pensar. Brindar com seus amigos só com refresco, refrigerante e chás, mesmo que prejudiquem seu estômago. Música, talvez baixinha, para não provocar incêndio na esfregação dos pares dançantes. 
  Habitar essa terra, pelo que me presto a pensar, é careta demais e talvez não valha o preço que se paga já que as mulher precisam fugir ao assédio gostoso dos irresistíveis cafajestes, assim como nós aos cigarros que nos fazem elegantes, principalmente aqueles que nos levam às nuvens numa espiral de sonhos e fantasias. O mesmo acontece com as bebidas.  Ai eu pergunto; pra que abrir mão dessas coisas? Em troca de quê, de um engarrafamento sem precedentes, de uma política que trabalha para enriquecimento dos desonestos em detrimento de um povo analfabeto e faminto como estamos no momento e aqueles que fogem da guerra de seus países? Eu acho que vou trocar minhas duvida pela certeza das garotas corajosas e pelas bebidas  e os cigarros que encurtam a vida, mas que nos dão prazer e contentamento. Eu sei que principalmente o cigarro me causará enjoo, mas nada será tão ruim como ter que pagar para viver triste e em sofrimento. 
Se eu não fosse covarde, saía para dançar com uma gata, bem agarradinho, e no pé da sua oreia falava as besteiras que gosto e quando o tesão tomasse conta de mim correria ao alpendre para olhar a rua e as estrelas. E ainda mentiria a meu respeito e depois...  Ah, depois eu me arrependo, peço desculpas a quem achar que devo enquanto levo pra cama a mulher que encantarei com as flores roubadas ao jardim do vizinho. 
Na manhã seguinte chegaria atrasado no batente pra botar a culpa na condução e ainda blasfemaria contra o criador se um amigo chorasse ou por ventura esquecesse de quanto eu o amo.  Assim, com certeza, o preço da vida será muito mais justo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SAUDADES QUE EU TENHO...


    No interior do estado festejavam o dia de ação de graças.  Não havia
 em nenhum calendário da era medieval aos tempos atuais um dia mais adequado ao encontro daqueles dois.  Talvez por anseio ao que pudesse acontecer ela tivesse chegado ao encontro um pouco mais cedo e em meio aos que se achavam no labirinto das barraquinhas alguém procurava por quem conhecera através das redes sociais.  Ela, como se fora criança, correu ao seu encontro e na ponta dos pés o beijou na face. A jovem parecia estar vivendo no mundo das maravilhas enquanto ele curtia a festa como se fora a melhor e a mais bonita.  Todos os bons ventos sopravam a seu favor, principalmente ao descobrir  que se tratava da mulher de sua vida.   Um beijo roubado   era o presságio do que a esperava. Depois, de mãos dadas, buscaram um lugar onde pudessem conversar. Ele falava enquanto ela o escaneava e nem os detalhes mais ocultos escapavam à curiosidade, se  me faço entender.

O cara pensou discutir a diferença de idade existente entre eles, mas achou melhor não mexer no que estava quieto, pois o que de fato importava era o respeito e o companheirismo entre eles. Dali seguiram à casa da moça onde os parentes os aguardavam. Ninguém confrontou as idades, mas para que não cometessem nenhum desatino a garota fez questão de dizer que o encontro era amistoso e que não esperassem nada de sério entre eles.  Tanto sabia do que estava dizendo que em tempo algum a interromperam ou a contrariaram naquilo que dizia. Depois vieram outros encontros  e por entender que um era a metade da laranja do outro resolveram juntar suas bandas.  A cama era seu ponto de encontro.  Sempre que um chegava a casa jogava-se nos braços do outro buscando o prazer que a química  provocava. 
No decorrer do período uma cirurgia se fez necessária e durante a convalescença do rapaz o sexo ficou fora de questão ou pelo menos deveria, como a ele disse o médico e a parceira não levou a sério.  A temperatura subia a cada encontro causando riscos a saúde dele, mas no afã do momento não se importavam com as consequências. 
      Hoje a frequência não é a mesma. Ambos, amadurecidos,  melhoraram em tudo e em todos os sentidos.  Afinaram as ideias, investiram no que é necessário e viajam aos lugares mais distantes e mais bonitos. Vivem como num conto de fadas trocando abraços e beijos num respeito de causar inveja, mas, nada além disso.  Eu acredito que já não fazem amor com a mesma pegada, embora o sentimento por parte dele continue num crescente quase avassalador, ao passo que ela já não vê tanta graça no que faz. Em vários momentos ele pensou  que o amor dela tivesse acabado, ou que se arrependera de tê-lo conquistado.  Ele, desesperançado, já não acredita que pulse em suas veias o mesmo desejo que tinha por ele, assim como não se vê provocado por um olhar malicioso, um cruzar de pernas pretensioso que os levava à cama naqueles momentos. 
          Enfim, vamos deixar que o tempo os ilumine, porque só ele tem o poder da mudança.   Se tiver de mudar para melhorar, que mude, caso contrário, que mudem os dois ou se acovardem sem reclamar...
       

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SABOR DE NÃO SEI O QUÊ.

      
     Carlinhos não tinha preferência por cor, brinquedos ou pelo gênero das pessoas. Na casa das primas onde era deixado quando os pais saíam para o trabalho, Carlinhos passou a maior parte da sua infância . Brinquedos eram os que tinha na casa com os quais brincavam ele, suas primas e certas coleguinhas da escola. Algumas vezes Carlinhos foi ao portão para olhar os moleques jogar bola, mas não se viu tentado a juntar-se a eles. Pular amarelinha, rodar bambolê, pular corda e brincar de boneca com as coleguinhas era do que mais gostava e fazia. Seus pais se engrandeciam com as atitudes do filho, até porque, respeitava as meninas a ponto de brincar com seus brinquedos ao passo que outros meninos preferiam se passar por mocinho ou bandido, jogar bola e lutar entre si. Todos o amavam por ser uma criança comportada e estudiosa e por isso talvez não desse margem aos pais para castigá-lo ou tratá-lo de forma grosseira.
        Carlinhos cresceu estudando e brincando, e aos 23 anos já era doutor. Suas amizades eram as mesmas, muitas meninas e muito poucos rapazes. Estes, no entanto, não perdiam a oportunidade de criticá-lo pela forma de como se vestia e falava. Mesmo assim não abriam mão de sua amizade até porque era ao lado dele que se encontravam as mais lindas garotas do pedaço, e as chances de um desses rapazes se arranjar com uma delas não eram impossíveis. E foi na casa de uma dessas meninas que Carlinhos tomou o seu primeiro porre. Era uma festa de música lenta e pouco vinho, mas não pouco que não deixasse alguns deles fora de si e Carlinhos era uma dessas pessoas. Na manhã do dia seguinte o jovem rapaz acordou sem noção do que tinha acontecido além do gosto amargo que tinha na boca. Não fossem suas três melhores amigas esfregando os seios nus em sua cara enquanto uma tinha nos dentes a cueca que antes ele vestia e nosso herói jamais acreditaria que há pouco tempo ainda era um menino honrado e respeitador que nunca diferenciou o branco do preto, o bonito do aceitável e o homem da mulher e agora, entretanto, fica sabendo que passara toda a noite entre adoráveis criaturas com quem deve ter feito o impossível e o não permitido e mesmo assim acredita que o gosto que tinha na boca já tenha mudado.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

COLEGA (ÍNTIMA) DE ESCOLA.

  
    Com mãos de fada Júlia acariciava o corpo da morena com quem dividia uma quitinete na faculdade. A pele brotoejava no toque sutil de quem talvez não soubesse que desenvolveria pela colega um sentimento maior que o de uma simples amizade. Ter a sorte de poder falar junto ao seu ouvido, sentir o cheiro de sua pele e quando possível tocar seu corpo era como realizar sonhos que jamais pensou que tivesse. Sempre que possível tomava seus cabelos entre os dedos e fio a fio os escorria, da mesma forma como elogiava o verde esmeraldas dos seus olhos. Também não media palavras quando elogiava os seios dela; pequenos e firmes. Júlia era bonita e persuasiva o bastante para conseguir o que queria e as vezes até se tornava refém dessas conquistas. Tinha vez que sentia água na boca  só de falar nas pernas compridas, lisas e macias da amiga. Não era à toa que se questionava quanto a necessidade de ficar tão perto dessa garota a ponto de querer tocá-la, de sentir seu hálito e de até beijá-la como já quis. Nessa noite porém, nada, ninguém ou a natureza teria como evitar o que houve entre as duas. Já era madrugada quando cansadas chegaram à casa. Quando Júlia entrou para o banho a amiga já tinha terminado o dela. Assim que voltou ao quarto viu que a amiga já tinha adormecido, mas nada além da calcinha impedia que um maravilhoso corpo fosse apreciado por quem se mordia de desejos. Júlia perdeu algum tempo namorando aquela obra-prima inerte na sua frente. Não podendo pensar em outra coisa Júlia se questionava; como tocar nessa gata sem ser repreendida caso ela acorde? Como controlar a vontade de mordiscar a pontinha de sua orelha, de beijar o canto de sua boca e de espremer entre os meus seios os da mulher que se quer? Nada disso seria permitido eu sei, mas cobri-la com um lençol de linho branco mesmo que minhas mãos toquem de leve seu corpo, abram suas pernas e entre elas eu me agasalhe, sim, isso podia. E foi graças a essa certeza que Júlia, fingindo escorrer o lençol por sobre aquela formosura pode acariciar sua amada naquela noite e em todas as outras em que juntas dormiram.