quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ela era uma linda mulher...

Ele voltou no tempo e colorido sentiu-se o homem mais bonito. Trazia na pele o bronze dos atletas e nos olhos o brilho do alvorecer. Seu coração batia forte como batem, na tribo, os tambores de mensagem. Todos os dias eram de festa e todas as noites não tinham fim. Sorria muito, talvez mais do que devesse, mas sorria até que lhe doesse a boca e o rosto ardesse em fogo. Era feliz, ele era muito feliz. A mão que segurava a sua desde a infância e lhe guiava os passos desprendeu-se da sua e ele se viu sozinho, titubeante. Retrocedeu no tempo, voltou no pensamento e chorou pensando nela. Por ela ele se fazia e se via forte, por ela ele vivia a vida e sabia o seu destino. Agora, sem ela, ele já nem se vê como pessoa, não se enxerga. Sente-se
perdido, sem futuro e sem destino, mesmo sabendo que precisa seguir o seu caminho ele se nega ao sentir uma lágrima embaçar-lhe a vista e lhe queimar no peito. Ergue o queixo e vê o sol. Bate a poeira das botas com o chapéu, fecha atrás de si a porta, abre os braços e segue,
lento, pisando a grama verde, o caminho do vento.
silvioafonso

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

FLAMENGO X VASCO.

Em muitos momentos ele fez você chorar de alegria e em
outros, tão poucos, de tristeza. A cada jogo uma esperança
de conquista ou de derrota e a cada gol, um sorriso ou um
lamento.
O resto do tempo você cuida de sua filha e de sua vida, no
trabalho é perfeita e nos estudos da psicologia, sem igual.
Hoje, três anos depois de me conhecer, você, cega pelo
destino se esquiva de qualquer caminho e escolhe o seu,
o nosso. Seria ele melhor que os outros, dos outros, de
Deus? Não sei e não importa porque isso não faz a diferença.
A grandeza está na intenção de ser justa com os que a
querem bem. Justa com os que fazem questão da diferença
do bem e do mal, do certo e do errado. Nada importa,
como eu disse. O que importa, mesmo, foi você não
esquecer do seu, mas de propósito, vestir literalmente a
camisa do clube que faz o seu escolhido amor chorar nas
vitórias e nas derrotas para sorrir às gargalhadas em cada
uma nova conquista. Você, humilde e apaixonada vestiu a
jaqueta do maior rival do seu time. Vestiu e sorriu, vibrou
e foi feliz ao lado de sua filha, seu amigo Waguinho e o
amor que você diz a cada instante, fazer vibrar os seus
dias e tecer o seu futuro. Ganhamos, eu diria. Gol
“roubado” ou legítimo, mas ganhamos. O Maracanã
vibrou com o feito e nós nos abraçamos e nos beijamos
frente a trinta mil pessoas que foram para ver o jogo, mas
nos viram como um gol de placa, uma copa conseguida.
Esta página hoje é sua, mas o meu amor será para sempre

seu e terá o seu nome no placar.

silvioafonso.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO.

Não fale, não pense e se possível nem me olhe. Deixe fluir os
desejos, mas antes prepare-se para uma emoção que poderá
levá-la do céu ao inferno em uma viagem de ida com
permanência não sabida. O tempo e eu seremos a máquina que
enlouqueceremos todos os seus sentidos, enfeitiçaremos você,
os seus sonhos e a induziremos à realidade da fantasia. Não
quero nada que seja seu, a não ser o olhar, o seu toque e os seus
pensamentos. Não quero as conquistas que não sejam dos seus
encontros, abraços e beijos, dos seus carinhos e levá-la pela mão
através dos meus caminhos rumo ao infinito aonde eu,
parede-meia, moro com as estrelas.


silvioafonso

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

NASCER, MATAR E MORRER.

Conta a história que os índios da tribo Tupinambá, no
Maranhão, escapou ao ataque dos portugueses que
invadiram as suas terras e por isso fizeram uma grande
festa, com muita bebida feita à base de mandioca ou milho
cozido fermentado em uma porção de água. A certa altura
uma mulher, sem motivos aparentes, esbofeteia um
homem. Logo toda a aldeia entra na briga separando-se
em duas metades. Como resultado da confusão as partes
fundam duas novas tribos de canibais e nunca mais
fizeram as pazes. Para os Tupinambás alcançarem a vida
eterna, achavam eles, era fundamental que a divisão e o
ódio entre as tribos fossem mantidos. Os normandos
também pensavam dessa maneira. Esses povos têm, ao
menos, o mérito de reconhecer que a violência é integrante
da natureza humana. Com esta certeza foi elaborada a
psicologia da guerra, como justificativa e consolo. O ser
humano precisa de oposição, divergir opiniões. Tem
necessidade premente de se opor a si mesmo. Tem
desejos de sentir-se diferente dos semelhantes, quer
superá-los e se convencer de que a verdade é um privilégio
seu, particular. Em contra partida não pode tolerar a
diferença e isso o autoriza a matar. Eu não acredito que o
homem de Neandertal (extinto há 70 mil anos) tenha sido
nosso antepassado, mas ninguém nega que a pratica do
genocídio tenha dado fim à espécie e que a nossa ambição,
inveja, arrogância e o desejo do poder que nos leva às
guerras sejam o caminho da extinção do ser humano,
ninguém, também, vai negar...

silvioafonso

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CHUVA DO MEU SONHO.

Mais um relâmpago acompanhado de um forte trovão despertou-
me na madrugada e, eu sonhava com ela. Saí da cama,
perambulei pelo quarto terminando debruçado na janela olhando
para além dos jardins, mas nada via. Os clarões formavam
imagens e em muitas eu a via, sempre, em um longo branco
tremulando com o vento sobre a pele clara e nua. A beleza do
seu rosto, as curvas do seu corpo eu jurava estarem ali, na minha
frente, ao alcance dos meus abraços e meus beijos. Uma luz
menor, porém constante vinha dando forma e colorindo aos
poucos tudo o que ela alcançava levando a esperança de você
estar tão perto e deixando a certeza da minha saudade. O sol
mostrou-se por inteiro por detrás das bananeiras e os
primeiros raios dourados enxugaram o meu rosto denunciando
o cansaço e a tristeza. Ramos e flores curvados pela chuva
eram reerguidos com o calor da claridade e um cheiro de saúde
vinha solto na brisa dessa manhã. Uma orquestra de
passarinhos era regida pelo amanhecer de um lindo dia. As
crianças, distante, aos poucos saiam para a escola. Pais
seguiam depois delas para os seus empregos e o carro do gás
tocava a sua, incansável, música de todos os dias. Fecho a
janela, eu quero voltar à cama, porém meus desejos pedem
que não. Que eu fique olhando a rua o mais distante que
alcançarem os meus olhos, porque todas as pessoas que
chegam, vêm pelo final desse caminho cantando a música
da chegada.

silvioafonso


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

M E D O...

Escorreu as costas na parede e se prostrou por sobre
os calcanhares quando ele virou-lhe as costas e foi
embora. Depois de alguns dias ao tocar o telefone,
ela corria, mas não o atendia. Ela queria, mas
achava que não podia, não devia. Talvez fosse
qualquer pessoa e ela se frustraria, mas, e se fosse
a pessoa que ela esperava, aí seria a maior
felicidade de sua vida. Ela temia pelo que pudesse
ouvir na ligação; um olá, tudo bem? Ou quem sabe,
um adeus definitivo? Ela já tinha ouvido essa
despedida na última vez em que se viram. É claro
que a culpa era dela, sempre o culpado foi esse
amor possesso que a sufoca e mata. Ela quis ter
todo o seu amor, só para si. Dividi-lo com quem
quer que fosse, nem pensar, porque ninguém
saberia amar se não fosse dependente das
palavras do amor, ditas, mesmo que sem sentido,
no ponto “G” do seu ouvido, como ela que é escrava,
sim, de u’a mão longa e macia por entre os seus
cabelos e dela fechasse os olhos e a levasse aos
sonhos. Sonhos onde habita o seu amado e com ele,
de mãos dadas, correr pisando a grama por entre
as flores espantando os passarinhos. Mas, e se não
for ele quem está ao telefone, que estava ao
telefone, porque com a sua indecisão a ligação caiu
e agora não consegue se erguer do prostrado de
onde está. Precisava trabalhar, ler um livro, fazer
o que não fez só por viver nessa agonia de temer
ouvir um não e por isso não saber do sim.

silvioafonso

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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

SABE TUDO...


Em uma certa ocasião eu li na página da psicóloga Rosely

"Matão" um comentário seu afirmando que todos os homens
brochavam diante de suas mulheres e, se algum deles
desmentisse a sua afirmação era porque mentia. Pela
milésima vez um doutor em psicologia me indignava e como
eu precisava fechar uma coluna para um jornal eu não
respondi, naquela hora, o questionamento. No outro dia
procurei a página em que eu tinha lido o texto e por não
tê-la encontrado pichei a primeira parede que encontrei
do blog dela. Como alguém pode generalizar se não conhece
todos os homens e se conhecesse, como eles brochariam
exatamente no momento da estatística? Como o meu pai não
provou da acidez desta fruta, mesmo tendo 66 anos e uma
vida sexual ativa transando em quase todos os dias da
semana eu só posso achar que ela foi de uma infelicidade a

toda prova já que ele há três anos está casado com uma jovem

de 28 e nunca falhou na hora do sexo. A humildade e a
sinceridade norteiam a vida do meu velho e que de velho, por
sinal, ele não tem nada.

silvioafonso

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domingo, 4 de janeiro de 2009

NATUREZA DO MEDO...



Com o cair das chuvas foi que a "coisa" começou. Porém muitos,
da rua ao lado, de bairros vizinhos e de cidades de outros
estados não tomaram conhecimento do problema que era a
distância entre os seus lares e Santa Cataria, de suas
obrigações para com os seus empregos ou com a sua gente e
partiram por sua conta e risco com os profissionais da
defesa civil e sob olhares de curiosos puseram a mão no barro.
Ali ficaram, sem descanso até que o pior passasse, mas não
passou. Hoje, quase um mês, depois, encontramos, ainda, como
anunciou um documentário de tevê, pessoas no resgate de
possíveis sobreviventes, assim como um catador de papel e um
empresário que parecem não se cansar com o trabalho. Como
estas duas boas almas eu sei que outras se somam no trabalho
que parece não ter fim.
O ser humano é bom e generoso, e se uma ou duas, três ou quem
sabe, seis pessoas fogem ao propósito da prodigalidade
chegando a furtar dos que mais precisam, felizmente não
passam de uma meia dúzia. De uma banda podre que, graças a
Deus, já foi extirpada do convívio de todos nós. FELIZ ANO
NOVO AOS BRAVOS TRABALHADORES QUE PERSEVERAM E AOS QUE
AJUDAM COM A SUA FÉ.


silvioafonso

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

AMOR QUE NÃO SE MEDE.

A minha intuição vibrava como um alarme de incêndio e eu corri como ninguém. Viajei três horas sem descanso e quando lá cheguei tirei logo a camisa, os sapatos eu os joguei longe e tropecei nas calças.Esqueci das meias e corri paro o quarto. Ela estava ali deitada, nua por saber-se só, parecia dormir. Tive ímpetos de me atirar por sobre aquele corpo lindo, mas a tempo travei o meu desejo e me perdi no que via...
Deslumbrei... Lambi com os meus olhos aquelas sinuosas curvas, mas eu não resisti ao volume que as suas coxas não deixavam esconder. Delirando eu me sentei ao lado dela e sem perder nenhum detalhe acariciei seu rosto, desci pelo pescoço e deixei ali um beijo. Corri a mão pelos seus ombros e estacionei no seio.
Seio liso e quente, aveludado como a pele de um anjo, macio como os lábios da cabocla e eu, sem pensar o engoli. Lambi um a um enquanto os meus carinhos buscavam pelos relevos que as suas coxas espremiam. Ali eu descansei a minha boca. Permaneci na confluência das duas pernas que eu separei, na altura da virilha. Nem um gesto, um movimento ela fez, sequer. Desgarrei uma, da outra coxa e entre elas depositei meus lábios. Tive febre e ardia em chamas a minha boca. Fogo que eu passei para o lugar que eu lambia. Esfregava nela devagar os meus loucos desejos. Abri o seu pecado e mordisquei o botão dos sonhos dela, que não resistiu. Abriu-se em duas, arreganhou a sua vida para dar à luz ao impossível e não abortar o sonho. Mordi as suas coxas para me perder no labirinto do amor maior onde nasceu, germinou e cresceu o conhecimento e as Vontades de um corpo que não vê fronteiras, não tem parâmetros e nem limites. Urros, berros, palavras sem ordem e eu me perdia. Não sabia meu nome e nem se eu era o homem ou a mulher. Se eu era um pássaro ou um selvagem animal eu não sabia. Andei em círculo, voltava aos pontos de partida e de chegada.
Mamei seu sexo e esqueci meus sonhos, deitei entre os seus seios e dormi nas coxas dela para despertar em tempo de saber o meu apêndice abocanhado por uma serpente. Passei a guarda e cravei o que trazia na metade do meu corpo; um fardo grande e grosso do meu vigor na sua alma...
Num grito me libertou rijo como a rocha em busca da gruta onde se abrigou, fugiu daquela boca quente e gulosa e entrou, sem bater. Entrou sem saber se o espaço estava livre e num supremo esforço fez-se maior para se dividir entre os
anseios e os desejos. Deixei na mulher amada, puta adorada que eu bati na cara,
um riso amarelado, e no sexo um tom rosado sem medidas, sem perdão. Fechou-se em concha, cravou as unhas na palma das próprias mãos, crispou o cenho e num grito de vitória e agonia, quase dor, sentiu o orgasmo explodindo no seu corpo e nele permanecendo por toda a noite. Só ao amanhencer ela despertou do sonho enquanto eu, sorrindo, virava para o outro lado e novamente adormecia.
silvioafonso


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